A construção da auto-estrada (A32), que liga Coimbra a Oliveira de Azeméis, uma obra que irá atravessar a freguesia da Branca, está a deixar a população revoltada.
Havia duas alternativas para o traçado: uma a Poente da Estrada Nacional (EN1) e outra a Nascente da EN1, (solução 5 / 5A). De acordo com a Comissão de Acompanhamento da A32, ) o traçado escolhido foi a Nascente da EN1 provocando a destruição do património cultural, histórico e arqueológico da freguesia, prejudicando acentuadamente a qualidade de vida da população, pelo que esta Comissão resume a questão em duas palavras: "Destruição total".
Com o objectivo de discutir este problema, a Comissão de Acompanhamento ao Traçado A32, bem como elementos da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha e moradores da freguesia reuniram-se no Centro Cultural da Branca, na noite de 13 de Janeiro, onde discutiram este problema que vai afectar várias famílias da freguesia.
Um dos grandes anseios da população da Branca foi sempre a construção de uma variante que servisse os interesses da vila e da população, uma vez que a quantidade de trânsito que atravessa a freguesia acarreta grandes dificuldades aos seus habitantes. Esta era uma luta com mais de 20 anos, no entanto, em vez de ser construída uma variante, foi anunciada uma auto-estrada. De acordo com esta Comissão de Acompanhamento, o traçado aprovado na Declaração de Impacte Ambiental, "a que corresponde o despacho do Secretário de Estado do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, datado de 30 de Dezembro de 2008, a que corresponde o Trecho 3, localizado a Nascente da actual IC2/EN1, representa um grave e irreversível atentado paisagístico no mais belo património natural da vila da Branca, se não mesmo da zona de Aveiro, que é a sua deslumbrante encosta voltada ao mar".
ZONA INDUSTRIAL SERÁ CORTADA AO MEIO
De acordo com o engenheiro Joaquim Santos, o traçado da A32 a Nascente da EN1 apresenta quatro pontos negativos para o concelho. Em primeiro lugar, vai transformar-se num "tampão ao crescimento e expansão para Norte da Zona Industrial de Albergaria-a-Velha, funcionando como uma barreira nesta estrutura económica e fundamental para o concelho". Em segundo lugar, o traçado "prevê a construção de um viaduto com um quilómetro de comprimento e uma pendente de 6% (inclinação máxima permitida em auto-estradas) que passa na zona urbana sul da Branca (zona de Fradelos e Casaldima) que levará a auto-estrada da cota 100 à cota 300, com impactes sociais e ambientais incalculáveis".
Em terceiro lugar, "destrói a encosta poente da zona central da Branca (Sentido Sul / Norte) à cota mais ou menos 300, aniquilando de forma irreversível um património paisagístico de grande valor que é o centro da vila da Branca, de cujo alto se desfruta de uma das mais belas paisagens da zona de Aveiro, nomeadamente quase toda a Ria de Aveiro, a cidade de Aveiro e todo o mais que a vista pode alcançar", acrescentou Joaquim Santos.
Por último, a A32 a Nascente vai destruir a Estação Arqueológica do Monte S. Julião, "com vestígios arqueológicos que datam de 1500 antes de Cristo (a.C.) A população da Branca não entende os motivos desta opção, que habilidosamente manipula os parâmetros de Avaliação de Impacte Ambiental, por forma a justificar esta inadmissível opção de traçado a Nascente, pois trata-se de uma solução mais dispendiosa (porque obriga a construção de um viaduto com um quilómetro e implanta-se numa zona de topografia difícil e possui um comprimento maior do que a solução base), com mais impactes ambientais e com custos sociais na população afectada incalculáveis", rematou Joaquim Santos.
JOÃO AGOSTINHO PEREIRA DEFENDE TRAÇADO A POENTE DA EN1
"Todos os partidos votaram, por unanimidade, o traçado a Poente da A1, como sendo o ideal para o concelho. Hoje, quarta-feira, dia 21 de Janeiro, às 11 horas, teremos uma reunião em Lisboa com o Secretário de Estado do Ambiente onde este assunto será discutido com rigor técnico, científico e jurídico e vamos trabalhar para conseguir o melhor traçado para o concelho. Este é o grande objectivo da autarquia", disse João Agostinho Pereira, presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha.
ABAIXO-ASSINADO JÁ REUNIU MAIS DE 3500 MIL ASSINATURAS
No dia 10 de Novembro de 2008, a Junta de Freguesia da Branca apresentou uma Contestação ligeira ao traçado e informou a Agência Portuguesa do Ambiente que tinha sido constituída a Comissão de Acompanhamento da Construção da A32 e começou a trabalhar num abaixo-assinado, a ser entregue na Assembleia da República, e que conta já com mais de 3500 mil assinaturas (previsão até ao dia 13 de Janeiro).
O objectivo é chegar às cinco mil assinaturas até ao dia 24 de Janeiro. No total, foram distribuídos 113 dossiês com 4520 assinaturas. Até aquela data foram fechados 37 dossiês com 1480 subscritores, dos quais 1341 são naturais da Branca. Dos restantes 76 estima-se que estejam duas mil pessoas.
Sandra Pinho/Litoral Centro, 22 de Janeiro de 2009
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