sábado, 10 de janeiro de 2009

A25 mata quatro vezes menos que o antigo IP5

Dois primeiros anos da nova auto-estrada pautados por metade dos acidentes

A auto-estrada 25, que liga Aveiro a Vilar Formoso, ficou completa há dois anos. Substituiu o Itinerário Principal 5 e os índices de sinistralidade melhoraram de forma abissal. Hoje morre-se quatro vezes menos.

"Resultou e muito a construção da A25", confidencia, ao JN, o tenente coronel Cardoso, responsável pela Brigada de Trânsito da GNR da zona centro do país, organismo que zela pela fiscalização do trânsito da mais importante ligação rodoviária de Portugal (Aveiro/Vilar Formoso) ao resto da Europa.

A nova auto-estrada - que atravessa os distritos de Aveiro, Viseu e Guarda - ficou completa em finais de Setembro de 2006, substituindo o catastrófico IP5 e os números da sinistralidade, por exemplo, nos dois últimos anos de existência do I P5 e os dois primeiros da A25 não deixam duvidas. "Não há 'pontos negros', nem registo de locais de acumulação de acidentes", referiu o tenente coronel Cardoso.

(...) nos últimos dois anos do IP5 (2005 e 2006), morreram 13 e 12 pessoas, enquanto que nos dois primeiros anos da A25 (2007 e 2008), os números baixaram para quatro e três vítimas mortais.

Até os casos de multas por excesso de velocidade têm diminuído nos últimos dois anos, com o chamado nó do Caçador, perto de Viseu, a ser o calcanhar de Aquiles dos automobilistas, dada a existência de um radar fixo, imposição do Tribunal Administrativo, devido ao perfil do traçado.
A redução do numero de acidentes na A25 em comparação com o IP5 é abissal. Até final de Outubro passado tinham-se registado 323 acidentes entre Aveiro e Vilar Formoso, bem longe dos 723 acidentes em 2002 quando existia o velho IP5.

Os números da sinistralidade dizem hoje, que na A25, Agosto, Outubro e Janeiro são os meses com maior numero de acidentes e que as vítimas mortais aconteceram mais nos meses de Março e Novembro.

No ano passado, por exemplo, na A25, no troço do distrito de Aveiro não houve qualquer vitima mortal, acontecendo o mesmo com o distrito da Guarda. Este ano, até Outubro passado, Viseu era o único que se podia vangloriar de não ter no traçado da A25 qualquer vitima mortal a encher a estatística.

Viseu é o distrito em que nos dois primeiros dois anos de existência da A25 mais condutores foram apanhados com excesso de velocidade, segundos dados da Brigada de Trânsito da Guarda Nacional Republicana. Dos 27304 de 2007 e dos 22920 condutores deste ano, até finais de Novembro, 21562 e 14767 multas dizem só respeito a Viseu.

"Hoje o IC2 e a A1 têm mais acidente que a A25", assegura José Bismarck, comandante dos bombeiros de Albergaria-a-Velha, uma das corporações que estava quase sempre a prestar socorros no velho IP 5.

"Não só diminui significativamente o numero de acidentes como a gravidade dos mesmos", opina José Bismarck. "O que aconteceu é que deixaram de existir os choques frontais que havia no IP5", acrescentou. O comandante de Albergaria lembra, no entanto, que "estamos perante uma auto-estrada de montanha". "Mais segura que o IP 5 é sem duvida, agora em comparação com outras auto-estradas de montanha europeias, não o posso dizer", frisou.

JESUS ZING E JOÃO PAULO COSTA/Jornal de Notícias, 5 de Janeiro de 2009

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