SEMA - Em 2008 apenas 12 de 1940 estabelecimentos aderiram ao Modcom
Pequeno comércio estagnado e com menor volume de negócios
O pequeno comércio estagnou em 2008. Num universo de 1940 associados da Associação Empresarial de Sever do Vouga, Estarreja, Murtosa e Albergaria-a-Velha (SEMA), no ano passado apenas 12 estabelecimentos aderiram ao programa Modcom, de incentivo à modernização e revitalização comercial.
Trata-se de uma descida dramática se se considerar o que acontecia no passado. Noutros programas, há dez anos atrás, revela o presidente da SEMA Pedro Marques, e num universo de apenas 800 associados, houve 100 candidaturas.
"Isto significa que estão sem perspectivas de futuro e não acreditam. Não têm a coragem de investir a sua quota parte mesmo com a ajuda do subsídio. Isso é muito sintomático", comenta o presidente.
Mesmo tendo encerrado poucos estabelecimentos isso não significa que tenha havido uma inflexão ascendente. Segundo a SEMA, não houve uma dinâmica de aumento dos espaços nem tão pouco de abertura de novos espaços. Verificaram-se, em vez disso, muitas "transferências na tentativa de sobrevivência". A SEMA integra as equipas camarárias encarregadas de fazer vistorias e em 2008 não foram feitas "praticamente nenhumas vistorias para abrir novos estabelecimentos".
Em termos de volumes de negócios, o ano passado não foi mais risonho. "A quase totalidade dos comerciantes tiveram baixas de volume de negócios. Mesmo aqueles bem localizados ou de sectores mais ou menos defendidos tiveram quebras acentuadas. Praticamente todos os comerciantes tiveram baixas da ordem dos 20 e 30 por cento", enquadra o responsável.
Essa descida reflectiu-se "na antecipação de saldos, na quebra da procura, no próprio poder de compra e instabilidade que os consumidores tiveram e na insegurança relativamente ao futuro".
Crises são travão
A juntar à crise financeira vivida à escala global, os pequenos comerciantes enfrentam uma crise "estrutural" que preocupa ainda mais a SEMA. Uma crise motivada pelo "acelerar da liberalização das grandes superfícies" e "reforço dos regulamentos e taxas" por parte do Governo.
Exemplo destas novas taxas é o pagamento "perfeitamente surrealista" de "direitos do artista" além dos direitos de autor. "Há muitas músicas de autores que já morreram e que são neste momento cantadas tocadas ou interpretadas por outros artistas. Esses artistas não recebiam verbas nenhumas porque não eram os autores e então criou-se essa nova taxa". Um pequeno café com 40 ou 50 metros quadrados, por exemplo, "paga mais 400 euros por ano". A SEMA está a contestar esses pagamentos.
O Aveiro, 9 de Janeiro de 2009
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